Atualize seu navegador!
Notícias

Relatório da Oficina de Fotografia - Projeto Identidade "Quem sou Eu? Quem somos Nós?" - Subvenção 2010

Durante 7 dias (40 h/a) foi desenvolvido o projeto Percepções Humanas, que consiste em uma oficina de fotografia, trabalhado na APAE de Juazeiro do Norte, com a pretensão de apresentar a 15 alunos novas formas de se perceber o outro e desenvolver as percepções humanas através da fotografia.

Relataremos através deste, como foi trabalhado os alunos para que pudessem ao longo da oficina, apresentar sua própria percepção humana através da fotografia.

Propusemos aos alunos experiências únicas que irão lembrar ao longo da vida, trabalhando sua percepção e formando um olhar crítico sobre a sua visualidade.

Perceber a beleza de um ser humano, reconhecer o seu estado de espírito através de um olhar de registro, imaginar como se pensa através de imagens colhidas, o estudo em percepções humanas irá transformar o modo em que vemos nossos semelhantes de algo distanciado para uma forma de visão interior.

Uma mesma pessoa e tantas reações, percepções diferentes. Sentimentos, imaginações, preocupações, pensamentos e ações direcionadas a um mesmo estímulo. Assim é a percepção humana. Sob diferentes formas e ângulos, um mesmo estímulo pode ser percebido. Alguns outros exemplos de estímulos: um olhar, um gesto, uma frase, a entonação da voz, uma atitude... Supondo inúmeras possibilidades, podemos refletir sobre a questão da percepção humana e suas influências em nossos relacionamentos.

Perceber algo nos causa sentimentos, pensamentos e conseqüentes reações. Sentimentos geram percepções; ações geram novas percepções. É um processo cíclico que se retroalimenta.

Estudar como o ser humano percebe a si próprio, e ao mundo ao seu redor, é base para entender a questão da percepção Humana. Discutir-se-á, neste ensaio, a influência de nossa percepção sob nossos comportamentos e como isto se relaciona à questão da natureza humana.

OBJETIVOS

Nosso objetivo central é investigar a percepção humana e os significados revelados a partir de um registro fotográfico, a fim de compreender quais os valores atribuídos a essas atividades para o desenvolvimento humano. 

Essas vivências com o estudo da percepção podem gerar nas pessoas, valores criativos e transformadores, na medida em que estimulem a imaginação, os relacionamentos sociais mais espontâneos, o enfrentamento de situações novas e de risco; além da convivência como o ser humano, ao invés de um domínio sobre ele. A transformação e a criação são atributos necessários ao desenvolvimento da cultura humana, contribuindo para que haja maior consciência do nosso papel como parte de um sistema complexo e holográfico.

 

 

 

 

 

CONTEÚDO PROGRAMÁTICO

A forma como percebemos uma pessoa está essencialmente relacionada à nossa possibilidade de percebê-lo. E podemos nos perguntar: existe a melhor ou mais correta forma de observar e perceber uma pessoa?

Refletir como se percebe leva ao questionamento do que é verdade ou realidade. A forma como filtramos a realidade formando nossas percepções, depende de nossas experiências prévias. Mas, tendemos a assumir nossas percepções como “verdade”. A percepção que um tem do outro está diretamente relacionado ao seu próprio modo de ver a situação, influenciado pelo estímulo que recebe. Seus pensamentos, sentimentos, ações sobre aquela pessoa são uma soma de conteúdos próprios, experiências anteriores e as reações da outra pessoa.

1 – LEITURA VISUAL

Como podemos ler uma imagem através do que ela mesmo nos conta, perceber a que época pertence, perceber todas as informações que elas possam nos oferece.

2 – CEM ANOS DE FOTOGRAFIA

Apresentar aos alunos uma seqüência de 10 fotografias, representando cada uma uma década, explorando cada momento em que o mundo vivia para assim abordar os elementos da imagem e decifrá-la.

3 – FORMAS DO ATO FOTOGRÁFICO

Mostrar diferentes formas de se obter uma imagem fotográfica, aplicando várias técnicas.

4 - A PRODUÇÃO

Produzir fotografias próprias aplicando as técnicas estudadas.

5 – A PRODUÇÃO

Produzir fotografias próprias aplicando as técnicas estudadas.

6 – MOMENTOS DE SERIEDADE

Através da aplicação da dinâmica do silêncio pretendemos trabalhar o desprendimento do belo, e registrar depois da dinâmica partes do rosto dos colegas de oficina, para identificarmos posteriormente a quem pertence cada foto.

7 – APRECIAÇÃO DE ARTE

Apresentar aos alunos objetos de arte como forma de contemplação, para podermos modificar nosso olhar sobre formas de se produzir e observar a arte, registrando-a através da fotografia.

 

8 – ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA

 

Dinâmica aplicada para identificarmos a imagem através do som que ela produz.

 

9 – APLICANDO OS MÉTODOS FOTOGRÁFICOS

 

Atividades direcionadas que visa o repasse de informação entre os próprios alunos, fazendo com que sejam capazes de conduzirem informações visuais aos demais colegas como facilitadores.

EXECUÇÃO DA OFICINA

 

1º dia

DSCF7070.JPG

 

Durante o primeiro dia de oficina os alunos entraram definitivamente no mundo da fotografia através de uma aula sobre leituras visuais, como identificarmos os elementos de uma imagem e como podemos retirar as histórias de uma imagem fotográfica.

Observamos fotografias premiadas do projeto Percepções Visuais, do Artista Visual e Diretor de Produção Cultural Leo Dantas.

2º dia

DSCF7088.JPG

No segundo dia de trabalho, apresentamos aos alunos 10 fotografias que definem muito bem cem anos de fotografia, bem assim como apresentando aos mesmos todas as características da época em que foram registradas, para que assim possamos perceber o que se passava no momento exato em que foram produzidas, em que momento o mundo estava, relacionando os porquês de seus elementos e estudando muito mais que imagens, estávamos a perceber o que realmente acontecia na época através das imagens apresentadas.

3º dia

DSCF7197.JPG

No terceiro dia de atividades, podemos aplicar a fotografia tudo que já havíamos estudado, como forma de produção própria dos alunos da oficina, permitindo aos mesmos um olhar diferente sobre o local que diariamente estudam, formar um novo conceito sobre o já tantas vezes visto, perceber melhor seu ambiente e seus amigos, para assim criar sua própria forma de percebe-los

DSCF7224.JPG

Retratar o cotidiano poderá estimar nos alunos uma nova forma de perceber o ambiente, uma nova forma de afinidade com os companheiros e um olhar crítico sobre causas e coisas registradas.

4º dia

DSCF7331.JPG

Quando falamos em produção, nos vem a mente a construção de algo, e foi exatamente o que aconteceu durante nosso quarto dia de trabalho, os alunos criaram suas próprias narrativas sobre o fazer fotográfico, construindo suas histórias e montando alem de produzindo seu primeiro material artístico, onde cada um pensou sua cena e imaginou antes do acontecido para poder produzir tudo que iria precisar para o momento do registro.

DSCF7337.JPG

Estimulamos com esta forma de produção a criatividade de cada um dos nossos alunos, fazendo com que cada um se sentisse dono de sua própria situação e responsável pela produção de seu material fotográfico enquanto artistas visuais.

DSCF7341.JPG

Trabalhamos o conceito de fotos artísticas em P&B, para melhor focar o sentimento de cada um em sua própria construção, e percebemos com tudo isto que em cada um existe sim um artista, em fase de criação, com seus medos, receios e glórias, podemos perceber a excelência do material produzido, pedimos a leitura de cada imagem por parte da administração da APAE JN, para que com isto, possam perceber do que se trata a oficina e sua grandiosidade, abram suas mentes e percebam as reais necessidades dos alunos.

DSCF7349.JPG

 

 

DSCF7390.JPG

 

 

 

 

 

 

 

5º dia

DSCF7671.JPG

No quinto dia de trabalho, continuamos a produzir o material próprio dos alunos, assim percebemos o poder de criação de cada um, neste dia resolvemos trabalhar a fotografia denominada de Book, através do conceito fotográfico de retrato, onde eles puderam trabalhar todas as etapas da produção, desde a maquiagem até o clique da maquina fotográfica.

DSCF7745.JPG

Cada um desenvolveu com esta atividade a autoestima e a confiança em si mesmo, assim podemos perceber que existe um ser especial dentro de cada um de nós.

DSCF7766.JPG

Nosso principal foco neste momento alem de nossa produção pessoal, foi a criação, concepção e realização do ato fotográfico, retratando o belo registro do belo, onde cada um descobre sua real beleza.

DSCF7792.JPG

Podemos definir este momento de produção como: ELES POR ELES MESMOS.

 

6º dia

 

DSCF7842.JPG

Durante o sexto dia de oficina trabalhamos através da dinâmica da seriedade para podermos obter um comportamento visual mais sério, para assim podermos observar melhor cada rosto e suas marcas, para em seguida identificarmos o semblante fotografado.

DSCF7874.JPG

Em seguida os próprios alunos trabalharam entre si a dinâmica da seriedade.

DSCF7900.JPG

Os alunos após a dinâmica registraram partes do corpo dos colegas, e em seguida identificaram a quem pertenciam.

DSCF8055.JPG

Fechamos este dia com uma dinâmica voltada a quebra do belo, para termos um novo conceito sobre o que é belo e o que pode ser belo pra cada um deles, através do registro de caretas dos próprios alunos.

DSCF8091.JPG

Percebemos que muitos alunos perderam a timidez e ficaram bem a vontade depois da dinâmica, pois permitiram se fotografar em um momento da quebra do belo, quebrando de vez conceitos.

DSCF8067.JPG

7º dia

DSCF8108.JPG

No sétimo dia apresentamos aos alunos uma mini exposição de arte, para que percebessem toda magnitude de uma obra artística que não fosse a fotografia, para assim aprender o real valor do trabalho de um artista e assim poder registrá-lo através da fotografia, onde produziríamos uma arte através do registro de outra arte.

DSCF8139.JPG

Percebemos de cara a identificação por parte dos alunos com as obras, cada um com seu estilo, e assim pudemos notar o interesse artístico de cada um pelos materiais utilizados e suas formas de observar os mesmos.

DSCF8129.JPG

Contudo o que de melhor conseguimos foram os registros produzidos pelos mesmos, utilizando-se de vários ângulos e formas de observação artística, uma vez que desenvolvemos este olhar em cada um deles.

 

 

 

 

 

8º dia

Durante o oitavo dia de trabalho, desenvolvemos uma dinâmica denominada de Ensaio Sobre a Cegueira, com o intuito de apresentar aos alunos um estimulo sensorial, no lugar do estimulo visual, para que assim todos pudessem estimular um sentido e registrar o som, trabalhando também questões como lateralidade, equilíbrio, dentre outros aspectos sensoriais.

Através do estimulo sonoro os alunos puderam identificar de onde eles viam, para assim podermos começar a trabalhar a visualidade sonora e registra-los.

Através desta dinâmica fizemos pensar também em questões como coletivismo, ajuda mútua, companheirismo, confiança e autoconfiança.

 

9º dia

 

Neste ultimo dia de atividades, procuramos observar os alunos como mediadores da dinâmica Ensaio Sobre a Cegueira, onde dividimos a turma e alguns que não presenciaram a dinâmica no dia anterior representavam os deficientes visuais, e os que haviam participado estavam a ministrar a atividade, podemos perceber a força de vontade de todos, e assim podemos ver através das imagens a seguir, que cada um doa alunos da oficina está completamente habilitado a ministrar uma atividade sócio-educativa com os demais colegas da APAE-JN.

A turma foi capaz de caminhar por toda a área da escola, reconhecendo seus sons e suas inclinações, desenvolvendo mais uma vez a confiança mútua e a força de vontade de aprender e entender o que foi proposto.

 

 

Os alunos foram capaz de sair da instituição e fazer uma caminhada guiada até a faculdade, deixando todos os medos e receios para trás e conseguindo estímulos para atingir a superação.

Para finalizar a oficina, os alunos saíram da instituição e foram em direção do CCBNB-Cariri para conhecerem uma galeria de arte, no caminho os mesmos puderam fotografar o cotidiano de um centro comercial, com seus costumes e corre-corre.

Os alunos ficaram extasiados com um espaço de arte e cultura, e na galeria de arte participaram com desenhos e nomes para a exposição do artista Bruno Jacomino, e a partir deste dia já são considerados artistas visuais, pois sua forma de expressão compõem uma exposição em uma galeria de artes visuais

DESEMPENHO DOS ALUNOS

Finalizamos este relatório com a satisfação de informar a incrível marca de 2.000 (duas mil) fotos produzidas pelos e para os próprios alunos da APAE-JN, sejam elas retratos, artísticas, P&B, pouco nos importa também a qualidade técnica das mesmas, aja visto que foram produzidas por crianças, e por pessoas que talvez nunca tenham pego em uma máquina fotográfica antes, porem, finalizamos com a sensação de dever cumprido, pois chegar a esta incrível marca, nos mostra acima de tudo a força de vontade de cada um dos participantes.

Cada um dos alunos nos mostrou uma força própria para vencer desafios, principalmente aqueles que através da oficina foram perdendo os medos, participando mais e mais do processo criativo e desenvolvendo técnicas prórpias para o registro fotográfico.

Trabalhar a superação, criatividade, força de expressão, conhecimento próprio, enfim, trabalhar as visualidades de cada um deles, nos tornou pessoas muito mais sensíveis, e esta era a proposta da oficina de fotografia PERCEPÇÕES HUMANAS.

A partir desta oficina, as visualidades e o entendimento de mundo de cada um deles, com certeza não serão os mesmos, irão perceber as pessoas, os afazeres, os deveres, o conhecimento, tudo como um todo, diferentemente.

 

Leo Dantas

Instrutor da oficina